" A beleza da natureza motiva e inspira minha fotografia, alimenta minha
sensibilidade artística e restaura meu equilíbrio espiritual."    
             
             
           
           
        William
Neill
 
 
A fotografia de natureza, foi o melhor caminho que encontrei para me expressar.
Aventurar-me e não passar indiferente perante a vida. Estar aberto, envolver-me
com humildade. Acima de tudo, ter sensibilidade para ver e emocionar-me
com a natureza.
  Iniciei a fotografar aos
18 anos, com a máquina de meu pai, (como diversão). Depois de quatro vestibulares
para agronomia, na quinta tentativa passei em administração de empresas.
Mas não gostei de tanta matemática. Depois de um ano, mudei para jornalismo.
Começava, enfim, a traçar a minha carreira profissional.
  Quando acabei a universidade
fui para Nova York, fazer alguns cursos de fotografia no International
Center of Photography e de Computação Gráfica. Os cursos são muito bons
,há laboratório à disposição do aluno inclusive nos fins de semana. Para
estudar e viver em NY, também trabalhei na contrução civil e de garçom.
  Após dois anos, (1988
e 1989), a saudade e a solidão em NY me trouxeram de volta ao Brasil.
Montei uma pequena produtora de vídeo e computação gráfica. Nesta época,
abandonei um pouco a fotografia.
Mas, eu estava inquieto
e com vontade de viajar, voltar um pouco para o interior, conhecer nosso
país com tão cheio de belezas e de contrastes.
  Em 1995, um workshop com
o fotógrafo Araquém Alcântara despertou o entusiasmo adormecido. Bastaram
mais algumas viagens por parques nacionais e eu retomei meu caminho.
A fotografia ajudou-me a me reencontrar com minhas lembranças de "guri".
Recordações dos tempos em que morava no interior de Ijuí-RS, cercado pelo
verde, onde pescava e passeava a cavalo.
    A fotografia, além de resgatar
o meu passado, passou a dar rumo à minha vida. Estamos vivendo cada vez
mais fechados e solitários. Escondidos atrás de muros cada vez maiores,
condomínios fechados, olhando o mundo através de uma tela de TV, cinema,
Internet ... Esquecemos de ver o mundo lá fora, de sentir o sol e o frio
na pele, de maravilhar-nos com nossos próprios olhos.
  Fotografar, pintar e escrever
a própria aventura. Ir vivê-la. Não como mais um troféu, ou alguma coisa
para consumir, mas para sentir na cara uma brisa refrescante, deslumbrar-se
com o pôr-do-sol... Um êxtase que nenhum livro, TV, "Discovery Channel",
mesmo com surround e ar-condicionado conseguirá chegar perto.
  Quando volto de uma viagem,
as expectativas são grandes. Ao revelar cada filme, espero ver aquela
foto mágica. O "click" único, no qual abertura e velocidade estão certas.
A luz, perfeita e a composição, agradável. É uma sensação gratificante.
Esquecer de si mesmo, deixar que a natureza nos toque, ter muita paciência.
Pequenas sutilezas que o olho capta profundamente, às vezes sem saber
como. Ir a essência. Ver a beleza das pessoas por trás das fachadas e
do supérfluo, (revista Caras).
   Como ensina a National
Geographic, onde em cada reportagem são gastos de 300 a 400 filmes, ou
até 1000 filmes para histórias mais complexas: "Nossos fotógrafos exploram
os temas visualmente, buscando muitos ângulos e vários caminhos de um
mesmo assunto. É, geralmente, a combinação de tempo suficiente de trabalho
em campo com suficiente filme exposto que garante a qualidade de nossas
coberturas."
Tento percorrer minha
trilha em defesa do meio ambiente. Comunicar. Deixar algo bonito, positivo
e o mais coerente possível. Que sejam dez fotos espetaculares por ano.
Renato Grimm
* Matéria publicada na Revista Outdoor Magazine, Dezembro 1998
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