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20 e
21/06: Morro do Pai Inácio e Vila do Capão: Cachoeira
da Fumaça
O dia amanheceu
nublado e seguimos viagem até Lençóis.
No ribeirão de baixo, encontramos um senhor já
bem de idade, o Seu José, que garimpava solitário
um punhado de cascalhos em busca do tão sonhado diamante.
A vida desse povo é, em geral, tão dura, que eles
vêem no diamante a salvação de todos os
problemas e a possibilidade de começar uma nova vida.
Só que hoje, depois de anos de exploração,
é quase impossível encontrar alguma coisa por
aqui. É uma pena e dói ver a esperança
nos olhos de Seu José, que garimpa certo que "se
não for hoje, um dia o diamante aparece".
Dali, fomos
meio tristes para Lençóis e foi um choque MUITO
grande quando chegamos. A cidade estava lotada de gente, tudo
congestionado, carros estacionados por todos os lados, uma confusão!
A cidade cresceu muito desde 1998, agora se vêem pousadas,
lojas de equipamentos, mercados, e agências de turismo
para todo o lado. Ficamos completamente baratinados e não
sabíamos direito o que fazer. Almoçamos e resolvemos
sair correndo dali.
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Pegamos
a estrada e fomos em direção ao Morro do Pai Inácio.
Até lá, convenci o Renato a ir visitar o Poço
Verde, um lugar lindo que eu tinha conhecido da outra vez,
mas que só é possível se chegar de 4 x
4. Ele reclamou o tempo todo, pois a estrada parecia que ia
desmontar a Land, mas eu frisava a todo momento que ele ia adorar
o lugar, que o poço era verdadeiramente verde e que valia
a pena todo o sacolejo. Quando vimos o rio, não entendi,
pensei que estivéssemos no lugar errado. O rio estava
marrom, como se a areia no fundo tivesse sido remexida e turvado
toda a água. O poço verde estava marrom. Fiquei
muito decepcionada e o máximo que pude fazer foi prometer
ao Renato que mostraria fotos do lugar quando chegássemos
em casa, para que ele visse que, pelo menos naquela época,
o passeio valia e MUITO a pena.
Como
recompensa, vimos um maravilhoso pôr-do-sol de cima do
Morro do Pai Inácio - o cartão postal da Chapada
Diamantina.
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No
retorno, a dúvida: voltar a Lençóis e enfrentar
toda aquela bagunça ou seguir viagem? Resolvemos sacolejar
mais alguns quilômetros (só que agora à
noite) e chegar à Vila de Capão (ou Guiné).
Só que na época de São João nada
é fácil: até lá passamos um aperto
para conseguir algum lugar para dormir - estava tudo lotado.
Até que achamos uma pousadinha bem simples (mas que nos
cobrou bem caro!) para dormir. Não gostei muito, mas,
enfim, era o que tinha.
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A
grata surpresa foi o café da manhã que nos ofereceram:
um dos melhores de toda a viagem, com muitas coisas típicas
e tudo fresquinho! Ótimo. Comemos bastante e fomos enfrentar
a subida danada até a Cachoeira da Fumaça.
Quando chegamos lá em cima, o Renato foi logo se
deitando para poder ver a cachoeira, num desfiladeiro de 400
metros! Meu coração parecia que ia disparar. Não
agüentava vê-lo ali, fazendo fotos dependurado no
abismo! O pior foi quando ele fez com que eu segurasse o tripé
para ele poder se posicionar melhor. Eu segurava o tripé
e ao mesmo tempo chorava de medo. Foram minutos angustiantes,
e só o que eu pedia era que o filme acabasse logo para
ele sair dali. Quando ele finalmente saiu, eu o abracei e aí
chorei mais ainda. Nem preciso dizer que eu, pela segunda vez
visitando a Chapada Diamantina, não vi a Cachoeira da
Fumaça.
Veja
mais fotos:
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Expedição Bemtevibrasil um projeto de viagem criado por Renato Grimm
e Luciana Panzarini
dedicado ao registro e divulgação do ecoturismo, cultura,
fotografia brasileira e suas diversas formas de
expressão, colhidas no decorrer de muitas viagens pelo Brasil.
Um projeto em defesa da conservação do meio ambiente.
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