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25
Julho
A rampa
do Caim, Igatu
Acordamos
e não sabíamos direito o que fazer: o sol acabou
decidindo por nós. Ainda estávamos esperando por
outro dia ensolarado para retornarmos ao Poço Encantado
para fazer mais fotos do raio de sol. Resultado: voltamos a
Igatu para tentar fazer a caminhada para a Rampa do Caim.
Quando
chegamos em Igatu, demos logo de cara com o doido do Chiquinho
(aquele guia que já falei outras vezes), mas ele não
poderia nos guiar, pois estava com o braço quebrado.
Mas lá fomos nós fazer a trilha com o filho dele,
que em nada se parecia com o pai. A alegria falastrona do Chiquinho
deu lugar a uma seriedade calada no seu filho.
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A
trilha é fácil, mas um pouco tediosa, já
que não existem atrativos no meio do caminho. Mas, quando
se chega no mirante da Rampa do Caim, a gente vê que realmente
valeu a pena chegar até ali. De um lado, descortina-se
o Vale do Paty e de outro, o vale do Paraguaçu,
um dos rios mais importantes da região. O mirante é
justamente no local onde os dois rios se encontram para, enfim,
seguir seu rumo juntos. Eu, que já tinha feito a caminhada
pelo Vale do Paty, pude matar as saudades e ver o Vale sob outro
ângulo.
O local
é ainda pouco visitado, o que se pode perceber pelo mato
alto em alguns pontos da trilha. E justamente por isso, tivemos
uma surpresa não muito grata quando voltávamos.
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Na
ida, o Renato encontrou uma linda orquídea florida, bem
ao lado da trilha. Ela era a única que estava florida.
Por isso, se tornava ainda mais especial. Mas, como estávamos
com pressa para chegar ao mirante, o Renato fez uma marca no
chão para que, na volta, encontrássemos novamente
o lugar e ele pudesse se deliciar fazendo fotos da flor.
Eis
que, quando voltamos, restava somente um enorme buraco no chão.
Nós
sabíamos quem tinha roubado a flor, pois durante todo
o trajeto só passou por nós um grupo de 3 pessoas,
sendo que uma delas era um homem de Salvador que tinha se mudado
para Igatu há pouco tempo.
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No
final da trilha e começo da cidade, lá estava
ela: a casa do tal Macedo, com um enorme jardim repleto
de cactos e orquídeas. Nós estávamos soltando
fogo pelas ventas e acabamos parando para discutir (estaria
mentindo se dissesse que foi para conversar). Mas o ignorante
veio com dois argumentos "irrefutáveis": 1)
que o jardim dele constitui o mesmo habitat que o da mata e
por isso as plantas vão se dar muito bem ali; 2) todo
mundo faz isso, então ele também pode fazer. Com
um imbecil que responde uma coisa dessas, não existe
contra-argumento possível. Tentei dizer que o habitat
até poderia ser o mesmo, mas que a planta se dá
bem nessa teia de relacionamentos complexa que existe no ecossistema
da mata, onde cada indivíduo tem a sua função
e importância e onde todos vivem em um delicado equilíbrio
dinâmico. Tentei dizer que todos querem ter o prazer de
encontrar uma linda orquídea florida na mata; com o jardim
particular, somente ele teria esse prazer. Tentei por fim dizer
que se, os outros fazem coisas erradas, não precisamos
copiá-los. No final das contas, juro que já tinha
perdido o bom senso e comecei a gritar com o cidadão.
De nada adiantou, ele me chamou de ignorante e nada mais pude
fazer.
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Expedição Bemtevibrasil um projeto de viagem criado por Renato Grimm
e Luciana Panzarini
dedicado ao registro e divulgação do ecoturismo, cultura,
fotografia brasileira e suas diversas formas de
expressão, colhidas no decorrer de muitas viagens pelo Brasil.
Um projeto em defesa da conservação do meio ambiente.
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