Expedição Bemtevibrasil    -    Nordeste - 10 Parques Nacionais

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Relatos de viagem

 

28/06 - São Domingos, GO a Palmas, TO

Acordamos cedinho e já pegamos a estrada. Foram 530 km até Palmas, sendo que 70 de estrada de terra. As cidadezinhas de Goiás são muito bem cuidadas, com praças muito caprichadas e ruas limpas. Depois que atravessamos a divisa com o Tocantins, a paisagem mudou. Andamos cerca de 400 km na completa solidão: via-se o cerrado a perder de vista e durante todo o percurso não devemos ter encontramos mais do que 15 carros. Existem algumas pequenas cidadelas isoladas no meio do caminho, vivendo no meio do cerrado. Ao longe, na linha do horizonte, via-se a estrada, a qual parecia não ter mais fim. Apesar da estrada estar em ótimas condições, a viagem foi cansativa, pois a paisagem era muito repetitiva.

Palmas - TO
39 Graus

Chegamos em Palmas, por volta das 17 horas e por pouco não passamos pelo mesmo problema que tivemos em Brasília: os hotéis estavam lotados, mas por sorte encontramos uma vaga. Devemos passar o dia de amanhã aqui e no domingo, após o jogo do Brasil, devemos pegar a estrada novamente, rumo ao Jalapão. Aqui em Palmas, para inveja dos gaúchos, os termômetros estão marcando 39 graus, mas sinceramente não parece que está tudo isso não. Talvez esteja uns 33 graus.


30/06 - Brasil Pentacampeão e Expedição Bemtevibrasil rumo ao Jalapão

A nossa ida ao Jalapão foi meio sem querer: quando vimos no mapa estávamos perto demais para simplesmente deixar passar e resolvemos aceitar o desafio. Pela manhã, como não poderia deixar de ser, vimos o Brasil consagrar-se Pentacampeão e a alegria só não foi maior porque não estávamos em Porto Alegre para poder comemorar com os amigos. Almoçamos em Palmas e depois tomamos o rumo de Ponte Alta do Tocantins. Resolvemos pegar uma estrada de terra desde Taquaruçu, mas depois nos arrependemos, pois a estrada não tinha atrativo algum e a que partia de Porto Nacional era toda asfaltada.

A cidade tem esse nome, pois existe mesmo uma ponte alta na cidade da onde os meninos se atiram no rio. Fomos tomar uma cerveja num boteco e presenciamos uma briga de faca entre duas mulheres e, se não bastasse isso, depois ficamos sabendo que um morador tinha sido morto no mesmo dia. Ai, ai, muitas emoções nos aguardam a caminho do Jalapão.


Ponte Alta

01/07 a 04/07 - Jalapão

Foram 4 dias viajando pelas estradas esburacadas e pouco sinalizadas do Jalapão. Mas o charme do lugar é esse mesmo: guardar bem escondido uma área praticamente intocada. E, como se não bastassem as dificuldades naturais do Jalapão, fizemos alguns trechos à noite: quando escurece, tudo parece mais longe e os caminhos parecem se multiplicar. Durante 3 dias acampamos ao lado da casa de moradores locais, sempre à beira de rios simplesmente maravilhosos, com águas mornas (bem diferente da Chapada dos Veadeiros) e cristalinas.

No primeiro dia, chegamos à noite no nosso local de acampamento e de longe vimos umas luzes estranhas na frente da casa: quando nos demos conta, estávamos ao lado de um pequeno cemitério iluminado por velas que resistiam ao vento forte. Mas não adiantava, aquele era o melhor lugar para ficar: armamos a barraca e durante todo o tempo que ficamos ali, ficamos de costas para o local tenebrosamente iluminado e assim quase conseguimos esquecer que ele existia. O céu estava lindo e o Renato aproveitou para fazer fotos com longa exposição das estrelas.

Nesses 4 dias, visitamos a Cachoeira da Velha, o Fervedouro, as Dunas (cor de laranja) e a Cachoeira da Formiga.
Parecem poucos atrativos para tanto tempo de viagem, mas, no Jalapão, leva-se quase um dia todo para percorrer 150 km. Durante esses dias, sempre íamos encontrando pessoas especiais, como o Seu Manoel, boiadeiro, que pediu que avisássemos a Dna. Maria (a que mora ao lado do cemitério) que ele chegaria para o almoço 3 dias depois (um percurso que nós fizemos em meio dia) e a própria Dna. Maria que, há 34 anos, mora completamente sozinha no meio do deserto do Jalapão.



Boiadeiros

De tudo, o que mais nos custou deixar para trás foram as águas maravilhosamente azuis da Cachoeira da Formiga - lugar encantado e, por enquanto, eleito o melhor banho de rio da viagem. Tantos rios, só poderiam trazer enxames de mosquitos loucos por sangue novo: hoje pela manhã, quando eu tomava banho no Rio do Sono, uma moradora se espantou com as minhas pernas: eram tantas as mordidas de mosquito que ela não duvidou e disse: Ih! Estragou tudo!!!!

No meio de tanta coisa boa, tivemos um pequeno contratempo: a nossa câmera digital não resistiu e também quis tomar banho nas águas do Rio Novo. Ou seja, não vamos ter muitas fotos do Jalapão para mostrar: o que vai deixar vocês com mais água na boca ainda (deixamos a máquina desligada por três dias para secar bem....voltou a funcionar....mas parece que afetou o foco ...uma pena pois, daqui para frente vamos ter menos fotos no site. Mais fotos só em Porto Alegre, depois de revelar os slides).


Leia mais: Jalapão

 
05/07 - Taquaruçu

Ontem dormimos em Palmas e hoje pela manhã visitamos Taquaruçu, a mesma cidade da festa junina que fomos na semana passada. Já tinham nos falado bem da cidade, no sentido de que ela teria um grande potencial ecoturístico e resolvemos ir até lá para conferir. Na realidade, nenhum de nós estava com "aquela" vontade de conhecer Taquaruçu: depois de 4 dias maravilhosos no Jalapão, a sensação era de que nada seria tão bom e bonito. Mas, fomos mesmo assim e o passeio nos surpreendeu: são muitas cachoeiras na cidade (aproximadamente 100, em um raio de 25 km).

Vimos macacos-prego, cotias e uma série de pássaros coloridos nas trilhas. Impossível conhecer todas as cachoeiras e trilhas de Taquaruçu, por isso escolhemos 3 delas: Cachoeira do Evilson com 20 m de altura, Cachoeira do Roncador com 70 m e a Cachoeira da Sambaíba com 15 m.
À noite, quando voltamos para Palmas, visitamos a Feira 304 Sul, uma feira ao ar livre onde se encontra de tudo: alimentos a granel, comidas prontas, hortifrutigranjeiros, carnes, peixes, roupas, cds, ervas medicinais, poções que curam, utensílios domésticos e mais tudo o que se puder imaginar.


 
   



Expedição Bemtevibrasil um projeto de viagem criado por Renato Grimm e Luciana Panzarini
dedicado ao registro e divulgação do ecoturismo, cultura, fotografia brasileira e suas diversas formas de
expressão, colhidas no decorrer de muitas viagens pelo Brasil.
Um projeto em defesa da conservação do meio ambiente.

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