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Canoa Quebrada

 

12 e 13/08/2002 - Só um Tsunami pode salvar Canoa Quebrada!

A nossa viagem para Canoa Quebrada nos lembrou outras tantas estradas pelas quais passamos: o asfalto era uma colcha de retalhos, cheio de buracos e remendos mal feitos.

Chegamos a Canoa Quebrada às 14 horas e tivemos um choque: a vila desenvolveu-se de maneira desordenada, sem uma estrutura adequada para o turismo.

Lixo na Praia de Canoa Quebrada

As ruas não são ruas, são becos. Faço minhas as palavras de Ricardo Freire: "Canoa Quebrada é uma favela esotérica". E realmente andando pelos becos quase intransitáveis é essa a sensação que se tem. Mesmo assim, com tão pouco espaço, mais e mais pousadas e restaurantes estão sendo construídos, o que vai acabar deixando Canoa Quebrada ainda mais descaracterizada.

A rua principal conhecida como Broadway é bagunçada e é para deixar envergonhada a sua homônima mais famosa.

Quando se chega à praia, a decepção é ainda maior. As belíssimas falésias de Canoa Quebrada que devem ter feito sucesso com os jovens que a visitaram em décadas passadas (feliz a nossa amiga Íria, que visitou Canoa Quebrada quando ainda não tinha estrada) estão hoje escondidas por detrás de dezenas de barzinhos de praia, além de as falésias estarem completamente pichadas.


 




O famoso símbolo de Canoa Quebrada, a Lua e Estrela, mostra bem a decadência do luga: bem ao seu lado um chuveiro e um banheiro verde de muito mau gosto.

Banheiro e chuveiro ao lado do símbolo de Canoa Quebrada

 

Mesmo a tranqüilidade do pôr-do-sol nas dunas foi invadido por vários bugues que insistiam em tocar música alta e em fazer dos paredões de areia um parque de diversões.

Se não bastasse tudo isso, a pousada em que ficamos tinha um serviço muito ruim (apesar de ser uma das mais bem cotadas) e tivemos que esperar horas para arranjar lugar no estacionamento, para que trocassem uma lâmpada, e, como não tinha lâmpada sobressalente, demoramos mais um tanto para que nos conseguissem um outro quarto. O que faltava acontecer? No outro dia pela manhã, a resistência do nosso chuveiro estragou e tivemos que tomar banho gelado.

Resumindo, só um Tsunami pode salvar Canoa Quebrada. (Leia PS3:)

Depois de visitar Jeri e a Praia da Pipa (estará no diário dos dias 17 a 19/08), pudemos ver que é possível ser uma praia famosa e contar com uma boa estrutura para receber turistas do mundo todo, sem que para isso seja necessário perder o encanto e, sobretudo, destruir a natureza que a fez famosa um dia.

PS: Mar em Canoa Quebrada: águas verdes e um pouco agitadas.

PS2 Urgente: Visite Jeri e Tatajuba antes que chegue o asfalto, os resorts, os ônibus...( em Jeri agora já autorizaram a construção de hotéis de dois andares e querem colocar calçamento nas ruas)...mas evite alta temporada.

PS3 - Observações: Este texto foi escrito em agosto de 2002 e pelas informações que recebi em setembro de 2008, da ASDECQ (Associação dos Empreendedores de Canoa Quebrada), algumas coisas mudaram por lá e estão melhores.

Não voltamos lá depois de agosto de 2002 para verificar, então cabe a você turista tirar sua próprias conclusões quando for. Quando você for lá mande sua opinião para nós.
Este texto acima é opinativo e é somente a nossa visão pessoal quando passamos por lá. Desejo que tenha melhorado.

 

13/08 - A redenção depois de Canoa Quebrada

Saímos de Canoa Quebrada ao meio-dia e realmente não havia mais muita coisa para se fazer por lá. Resolvemos seguir pela praia e tivemos uma ótima surpresa. Alguns quilômetros ao sul, a paisagem fica deslumbrante: praias extensas e completamente desertas com falésias impressionantes! O tempo não estava cooperando e pela primeira vez em 60 dias de viagem pegamos uma pequena chuva pelo caminho. Mas nem o tempo ruim comprometeu a beleza do lugar.

 

Ponta Grossa

Em Ponta Grossa, o sol começou a aparecer a deixou a paisagem ainda mais bonita: mais e mais falésias e dunas cor de laranja. Nesse mesmo lugar, encontramos um grupo de crianças que pintavam o corpo com a areia branca retirada da falésia. A brincadeira garante a farra da gurizada!

Dali ainda seguimos pela areia até a praia de Redondas, uma verdadeira delícia: mar calmo, uma pequena vila de pescadores e um delicioso restaurante à beira-mar. Poucos quilômetros depois, o mangue nos impediu de seguir adiante e pegamos o asfalto em Icapuí. Dali, seguimos para Tibau,a última cidade antes de chegarmos ao Rio Grande do Norte.

Meninos brincando com  areia branca



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